Ver se a minha seção mudou

Eleições 2026 · Segundo turno · 25 de outubro

O TSE marcou 5.353 seções como alteradas. Em 2 de cada 3, o local é o mesmo

Cruzamos os dados abertos do TSE, seção por seção, e refizemos a conta: 3.658 das seções marcadas continuam no mesmo prédio: mudou o nome ou o texto do endereço, não o lugar de votar. Só 1.300 trocaram de prédio de verdade. Veja onde, quem ganhou ali e por que o número oficial do tribunal mudou quatro vezes em um fim de semana.

0seções marcadas pelo TSE
0mudaram de prédio de verdade
0continuam no mesmo lugar
0sem coordenada para medir

role para consultar a sua seção

Comece por aqui

Veja se a sua seção mudou de lugar

Escreva o município. A zona e a seção fazem a busca acertar em cheio. A resposta mostra se o seu local mudou de prédio, se só mudou de nome (o prédio é o mesmo) ou se a sua seção não está na lista. A palavra final é sempre a do e-Título.

Para procurar por CEP ou pelo nome do local, use a página de busca. Os atos abaixo contam como esta lista foi feita.

Ato 1 · O que o TSE marcou

O TSE não publica a lista das seções que mudaram. Reconstruímos e conferimos uma por uma.

A Justiça Eleitoral divulgou que milhares de seções trocaram de local para o 2º turno, mas não publicou a lista completa: a consulta oficial é feita por eleitor, no aplicativo e-Título ou no portal do TSE.

Para montar uma lista utilizável, cruzamos dois arquivos abertos do TSE, seção por seção: a relação de locais de votação, que traz o nome e o endereço de cada seção no 1º e no 2º turno, e o resultado da votação do 1º turno. O cruzamento é feito por município, zona e seção.

O cruzamento acha 5.353 seções com nome ou endereço diferente. Só que nome diferente não quer dizer prédio diferente: o TSE troca “Escola Municipal” por “Grupo Municipal”, escreve o mesmo endereço de outro jeito, e a seção continua na mesma esquina. Foi daí que veio o erro que o próprio tribunal admitiu no domingo.

0

seções que o TSE marca como alteradas

0

seções cujo ponto de votação realmente mudou de prédio

As outras 3.658 (68%) continuam no mesmo lugar, e 395 (7%) não têm coordenada no arquivo, e para essas não há como medir a distância. As duas contas são nossas, a partir do mesmo arquivo: o critério está no fim da página.

O erro do TSE e o que os tribunais estaduais disseram

O número oficial do tribunal não parou quieto. No mesmo fim de semana, a página do TSE registrou 4.300+ seções alteradas na sexta-feira, 2.033 no início da tarde de domingo, 1.396 às 19h e 99 às 20h. O tribunal disse que ia apurar “eventual erro no sistema”.

Sexta, 16/104.300+
Domingo, 18/10, à tarde2.033
Domingo, 18/10, 19h1.396
Domingo, 18/10, 20h99

Os tribunais regionais foram mais longe e contestaram o número nacional: em Pernambuco, só 6 seções mudariam de endereço (em Floresta e Buíque); no Paraná, 8 locais; em São Paulo, 2 zonas; no Rio, 1 local; em Alagoas, nenhuma.

O caso de Escada, em Pernambuco, mostra o mecanismo: o sistema do TSE aponta a troca da Escola Municipal Barão de Suassuna pelo Grupo Municipal Barão de Suassuna. As duas coordenadas apontam para o mesmo quarteirão, a 160 metros uma da outra. A escola é a mesma, mudou o nome.

E há o caso oposto. Em Delmiro Gouveia (AL), o arquivo aberto mostra seções que teriam mudado de prédio a até 6 km de distância, e o TRE-AL diz que nenhuma seção mudou de endereço no estado. Pelo dado, não dá para saber quem tem razão. Pela orientação oficial, vale o que estiver no e-Título.

Como ler esta reportagem: o número do TSE (5.353 no arquivo que baixamos) é o que o tribunal marcou. O número que se sustenta como mudança de lugar é 1.300. Os dois aparecem aqui, sempre identificados. Isto é uma reconstrução a partir dos dados abertos. Não é a lista oficial, e a confirmação, para cada eleitor, é no e-Título.

A troca de prédio, estado por estado

Só as seções que realmente mudaram de prédio, por unidade da federação (as 12 maiores). A régua abaixo é a mesma dos dois gráficos: a barra cheia vale 216 seções, o total do Paraná.

Onde a troca de prédio pesa mais

Municípios com mais seções que mudaram de prédio, na mesma escala do gráfico acima. Por isso as barras parecem curtas: Manaus, a primeira da lista (42 seções), é um quinto do que o Paraná inteiro mudou.

Ato 2 · Onde mudou de verdade

A troca de prédio aparece em 212 municípios e some em seis estados

Cada bolha do mapa é um município, e o tamanho dela é a quantidade de seções que mudaram de prédio ali. Só entram as 1.300: as que ficaram no mesmo lugar não aparecem. O mapa se desenha conforme você desce. Quem quiser ver o desenho inteiro, do começo, tem um botão ao lado dele.

Manaus reúne 42 seções que mudaram de prédio.

É o maior número do país, um a mais que Bacabal, no Maranhão (40), que aparece logo depois.

Macapá (38), Jequié (34) e São Paulo (32) vêm em seguida.

A lista não é só de capitais: cidades médias do interior aparecem no topo: União da Vitória (PR), com 31, e Limeira (SP), com 31.

Em seis estados, nenhuma seção mudou de prédio.

No Distrito Federal (271 marcadas), no Rio de Janeiro (199), em Mato Grosso (131), em Santa Catarina (114), em Mato Grosso do Sul (64) e em Rondônia (22), todas as seções que o TSE marcou continuam no mesmo lugar. Mudou o nome, não o endereço.

Contornos: malha territorial do IBGE. Bolhas: seções que mudaram de prédio, por município.

Quanto as pessoas vão andar

Metade das seções mudou a menos de 454 metros. Oito em cada dez ficaram a até 1 km do ponto antigo.

Medimos, em linha reta, a distância entre o prédio antigo e o novo em 1.289 das 1.300 seções. Onze ficaram de fora porque a coordenada de um dos pontos é usada por vários locais diferentes no arquivo do TSE, ou porque o endereço é o mesmo e a distância não fecha. As faixas abaixo são acumuladas: cada linha soma as anteriores.

Até 250 m320 seções · 25%
Até 500 m685 seções · 53%
Até 1 km1.099 seções · 85%
Até 2 km1.208 seções · 94%
Até 5 km1.253 seções · 97%
Mais de 5 km36 seções · 3%

Em 36 seções, o novo local fica a mais de 5 km do antigo; em 11, a mais de 10 km. Somadas, essas 36 seções têm 6.283 eleitores aptos. A maior distância medida é Unaí (MG), 73 km entre duas comunidades rurais do mesmo município. O caso de Verdelândia (MG), que aparecia com 220 km, ficou fora da conta: o ponto do 2º turno é usado por 23 locais diferentes, sinal de erro no arquivo do TSE. Seção sem coordenada também não entra nesta conta.

Ato 3 · Quem venceu onde

No lugar onde o prédio mudou, quem ficou à frente?

Cada ponto é uma seção que mudou de prédio, pintado por quem liderou a eleição para presidente ali no 1º turno. O mapa se acende conforme ele entra na tela, por ordem de tamanho: primeiro as cidades com mais seções. Para rever, use o botão abaixo dele.

0 municípios terminaram com Lula à frente.

Somando as seções que mudaram de prédio de cada município, Lula liderou em 128 dos 212.

0 municípios terminaram com Flávio à frente.

A divisão segue o desenho da eleição: Lula no Nordeste e em boa parte do Norte; Flávio no Centro-Oeste e no Sul.

Mas vencer no município não é vencer no voto.

Somando as 1.300 seções que mudaram de prédio, Lula fica com 53% e Flávio com 47%. É quase o contrário do empate que aparece quando entram as 5.353 marcadas. É o que o próximo ato explica.

Ato 4 · A conta que muda tudo

O empate técnico era um efeito do erro.

Somando as 5.353 seções que o TSE marcou, a eleição para presidente termina em empate: 0,48 ponto. Mas 3.658 dessas seções nunca saíram do lugar. Quando ficam só as 1.300 que mudaram de prédio, Lula ganha por quase 6 pontos.

As 5.353 seções que o TSE marcou

Lula
Flávio

As 3.658 que continuaram no mesmo prédio

Lula
Flávio

As 1.300 que mudaram de prédio de verdade

Lula
Flávio

Por que isso importa: as 3.658 seções que só mudaram de nome dão 51,1% a 48,9%, praticamente o retrato do país inteiro (51,01% a 48,99%). É o que se espera de um conjunto que, na prática, é uma amostra de seções comuns. Misturadas com as 1.300 que mudaram de prédio, elas puxam o resultado para o outro lado e criam o empate. O empate nas seções “alteradas” é resultado do erro do TSE, não um retrato de quem mudou de lugar.

E no país inteiro?

Quando entram todas as seções do Brasil, a diferença é de 2,02 pontos a favor de Flávio.

Lula 48,99%
Flávio 51,01%

Quanto voto está em jogo nessa história

0eleitores aptos
0compareceram
0votos válidos
0% de abstenção

Nas seções que mudaram de prédio, a abstenção foi de 18,9%, um pouco abaixo dos 19,8% do país. Quem teve de procurar outro endereço não deixou de votar por causa disso.

Para dar escala: esses 292.749 votos válidos são 0,25% dos 119,3 milhões de votos dados a presidente no país. É pouco no total nacional. Para quem vota numa dessas seções, é o voto inteiro.

Ato 5 · O governador

E no governador? Só no Rio Grande do Norte e no Tocantins a briga chegou perto.

Nos seis estados que voltam às urnas para governador (Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins), a pergunta é se a disputa nessas seções também terminou empatada. A resposta é não na maioria delas.

Cada estado tem duas barras: a de cima é o estado inteiro; a de baixo, marcada por um fio à esquerda, é só o que foi marcado pelo TSE. Os nomes e as porcentagens ficam acima de cada barra, sempre o 1º colocado à esquerda. Aqui usamos as 5.353 marcadas, e não só as 1.300 que mudaram de prédio: nos seis estados com 2º turno para governador, só 113 seções mudaram de prédio, pouco para tirar conclusão.

1º colocado 2º colocado Os votos em número absoluto ficam à direita de cada barra.
Onde o empate aparece e onde ele desaparece: no Rio Grande do Norte a eleição estadual foi decidida por 1,07 ponto e no Tocantins por 1,77 ponto. É o que levou os dois ao 2º turno. Mas, quando olhamos só as seções marcadas pelo TSE, esse empate não se repete: no Rio Grande do Norte a ordem até se inverte, com Carlos Eduardo à frente de Allyson por 14,8 pontos, e no Tocantins a diferença sobe para 2,9 pontos. Nos outros quatro estados nunca houve aperto: a vantagem vai de 9,5 a 28 pontos. Como essas seções somam poucos votos, os totais ali são pequenos e servem de curiosidade, não de retrato do estado. O empate técnico é da eleição para presidente, não do governador.

Ato 6 · Antes e depois

Quatro trocas de endereço, tiradas da própria lista.

As maiores seções, por número de eleitores, que realmente mudaram de prédio entre o 1º e o 2º turno.

Conferido: o caso de Buíque (PE), da Secretaria de Ação Social para a Câmara de Vereadores, e o de Floresta (PE), de uma unidade de saúde para uma creche, batem com o que o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco divulgou: 4 seções em Floresta e 2 em Buíque, as 6 que o TRE-PE cita. Mas a conta não fecha no resto: a nossa classificação separa 105 seções de Pernambuco como mudança de prédio, 99 que o TRE não confirma. É a mesma divergência que aparece em Alagoas. Por isso, antes de sair de casa, confirme no e-Título.