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g1FANTÁSTICOEpidemia do suco
Frasco de testosterona exibido pelo Fantástico
Saúde pública09 · 08 · 2026

O SUCONÃO ÉNORMAL

A busca por um corpo considerado perfeito transformou anabolizantes em rotina. Médicos alertam: o risco pode ser grave, irreversível e fatal.

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Reportagem completa

Veja primeiro.
Entenda em seguida.

Projeto da Unifesp incentiva quem quer interromper o usoAbrir matéria original
Gabriel Ganley em duas fotografias praticando fisiculturismoFoto: reprodução · G1
O caso que acendeu o alerta

Uma morte súbita rompeu o silêncio.

Gabriel Ganley tinha cerca de 2 milhões de seguidores e falava abertamente sobre o uso de substâncias. O fisiculturista morreu em maio, em São Paulo, depois de problemas cardíacos.

A repercussão levou mais pessoas a procurar a Unifesp para interromper o uso de hormônios. O problema, porém, já atravessava muito além do fisiculturismo.

Antes da substância

O atalho começa
antes da agulha.

Bullying

Paulo Gab conta que era muito magro na infância e na adolescência. As agressões na escola atingiram sua autoestima antes de qualquer contato com anabolizantes.

Comparação

No ambiente das academias, o corpo desejado parecia sempre mais perto e mais urgente. A pressão estética passou a organizar a forma como ele se enxergava.

Aceleração

O anabolizante virou uma “força motriz”: uma maneira de alcançar resultados mais rapidamente. O que parecia estratégia começou a cobrar consequências.

Seringa e frasco sobre um banco de academia
Dois amigos

quase entraram na fila de transplante de rins. A experiência ajudou Paulo a decidir que era hora de parar e procurar atendimento especializado.

O que a imagem não mostra

O corpo inteiro
paga a conta.

maior risco de morte entre usuários de esteroides anabolizantes
maior possibilidade de desenvolver miocardiopatia
CoraçãoMorte súbita, arritmias e doença do músculo cardíaco.
FígadoHepatite medicamentosa e possibilidade de tumores hepáticos.
RinsLesões graves podem aproximar pessoas jovens de um transplante.
Sistema hormonalInfertilidade, dependência e dificuldade para o corpo retomar o equilíbrio.
ComportamentoMudanças de humor e uma relação cada vez mais difícil com a própria imagem.
O corpo muda. A imagem demora a acompanhar.

Parar também é reaprender a se enxergar.

O professor de bioquímica Paulo de Melo sofreu bullying por ser obeso. Anos depois, ao interromper os anabolizantes, precisou aceitar a perda de parte da massa muscular conquistada durante o uso.

“Quando eu assisti a Demi Moore se tornando aquele monstro, eu me vi naquele monstro.”

Há um ano sem usar as substâncias, ele descreve a adaptação psicológica como a parte mais difícil. Durante muito tempo, seu corpo só parecia reconhecível em uma versão que não podia ser sustentada sem risco.

É um problema gigantesco de saúde pública.

Clayton Macedo, coordenador do projeto, descreve uma epidemia de mau uso de hormônios. Redes sociais e profissionais que prometem controle passam uma falsa sensação de segurança.

Alguns pacientes combinam três substâncias, inclusive produtos que nem sequer foram estudados em humanos. Para quem não tem deficiência hormonal, nenhum acompanhamento torna seguro o uso com finalidade estética.

Quem chega ao projeto

A epidemia não tem
uma profissão.

São advogados, empresários, policiais e trabalhadores da construção civil. Muitos têm massa muscular exuberante sem competir no fisiculturismo; alguns começaram ainda na adolescência e seguiram por anos.

158homens
4mulheres
38anos de idade média

O projeto acompanha 162 pessoas: 158 homens e quatro mulheres, com idade média de 38 anos.

Saindo do Suco com Segurança

Sair também
precisa de cuidado.

A iniciativa da Unifesp acompanha a interrupção do uso, as mudanças no corpo e as recaídas possíveis. O objetivo não é julgar: é ampliar a vida que ainda pode ser vivida.

Nutrição

Reorganiza alimentação e composição corporal sem promessas de atalhos.

Psicologia

Acompanha autoestima, imagem corporal, ansiedade e possíveis recaídas.

Endocrinologia

Avalia danos, sintomas e a recuperação do sistema hormonal.

Medicina do esporte

Ajuda a reconstruir uma relação possível e segura com o exercício.

Andrea Fioretti, da Endocrinologia do Esporte da Unifesp, ressalta que os pacientes não são apenas atletas. Gabo, influenciador e modelo, encontrou no projeto um espaço para falar do que não conseguia abordar sozinho. Paulo Gab diz estar pronto e feliz com a decisão de interromper o uso.

Cada pessoa tem seu tempo. Procurar ajuda não significa fracasso: significa escolher mais anos de vida e uma relação mais saudável com o próprio corpo.

Conhecer o projeto da Unifesp
Uma escolha de saúde

Viver mais
não é perder.

Anabolizante não é rotina de academia, correção estética ou prova de disciplina. Se você usa ou pensa em usar, procure avaliação profissional antes que o risco vire consequência.